Palavras-chave na Vinted: títulos e descrições que vendem
Como funciona a pesquisa da Vinted: a fórmula do título, as palavras que os portugueses escrevem mesmo e as caraterísticas de que dependem os filtros.
Publicar um artigo é metade do trabalho. A outra metade decide-se no instante em que alguém escreve uma palavra na pesquisa da Vinted e recebe uma lista onde a tua peça aparece — ou não. Essa lista, a Vinted ordena-a por relevância: o quanto o artigo corresponde ao que foi procurado, há quanto tempo está no ar, o quão completos são os seus dados.
O melhor disto é que todos esses dados vêm de ti. Quem sabe que palavras contam mesmo no título, que campos um filtro lê de facto e para que serve a descrição tira das mesmas peças bastante mais visualizações, sem gastar um cêntimo em promoção paga. É ofício, não é sorte.
Este guia segue a ordem pela qual convém trabalhar: primeiro o título, depois a categoria e as caraterísticas, por fim a descrição. No fim vais ver que parte disto podes entregar de vez a uma ferramenta, assim que dez artigos passam a cinquenta.
Como a pesquisa decide o que um comprador vê
Os pormenores dessa ordenação, a Vinted não os publica; o comportamento observável é, ainda assim, estável que chegue para se trabalhar com ele. Quatro coisas dependem de ti, e não pesam todas o mesmo:
- As palavras do título — o campo com mais peso na pesquisa
- A descrição — também é lida, mas conta menos do que o título
- A idade do anúncio — uma peça posta há uma hora tem muito mais hipóteses de aparecer do que a mesma peça ao fim de três semanas
- As caraterísticas — os filtros excluem, e um campo vazio deita a tua peça fora da lista
A isto junta-se o facto de nem toda a gente procurar da mesma maneira. Um escreve uma marca, outro folheia o catálogo, um terceiro aplica cinco filtros antes de olhar para o que quer que seja. O teu artigo tem de estar ao alcance dos três caminhos, e isso não te custa mais tempo nenhum: é o mesmo cuidado na hora de publicar. Como se forma essa ordem, ao pormenor, está no nosso texto sobre o algoritmo da Vinted.
Um mal-entendido persistente
Lê-se muitas vezes que a Vinted só procura no título. Não funciona assim: a descrição também é lida, o título é que pesa mais. Isso pouco muda na ordem do teu trabalho — as palavras decisivas continuam a pertencer ao título — mas significa que uma descrição bem escrita não é esforço deitado fora.
O título mete-te na lista de resultados; a fotografia de capa decide o clique dentro dessa lista. Como conseguir imagens decentes sem comprar equipamento, está no nosso guia sobre fotografar roupa para a Vinted.
A fórmula do título: marca, peça, cor, tamanho — e uma caraterística
Um bom título responde a uma só pergunta: o que escreveria alguém à procura desta peça? Daí sai uma fórmula que serve para quase todo o tipo de artigo.
- Marca — um dos filtros mais usados, por isso vai à frente
- Peça — vestido, calças de ganga, casaco, sapatilhas, mala
- Cor — quem compra filtra muito por cor
- Tamanho — tal e qual está na etiqueta: tamanho S ou 38
- Uma caraterística que a distinga — o padrão, o corte, o material ou a estação: florido, oversize, mistura de lã, de verão
Essa lista é uma lista de compras, não uma ordem de palavras. Regra geral só o início está fixado, a marca — pelo menos nos nomes que toda a gente conhece; nas marcas de cadeia e nas etiquetas pequenas a ordem inverte-se, e já lá vamos. De resto, a ordem pode seguir o teu ouvido: nos três exemplos abaixo a caraterística distintiva fica sempre em terceiro lugar. À pesquisa basta-lhe que as palavras lá estejam.
Se sobrar espaço, cabe uma segunda caraterística. «Zara vestido midi azul-escuro tamanho S florido de verão» junta padrão e estação, e chega a seis elementos. Ir mais longe não compensa: na grelha do catálogo um título comprido fica cortado, e o que está no fim só aparece na página do artigo. Daí sai a única regra de ordem que conta mesmo — quanto mais comprido o título, mais à frente têm de ir os quatro elementos obrigatórios, para que um corte custe no máximo uma caraterística.
Três exemplos do catálogo
A evitar
“Casaco jeitoso, quase novo”
A usar
“Levi's casaco de ganga oversize azul-claro tamanho M”
A evitar
“Mala”
A usar
“Zara mala shopper em pele sintética camel tamanho único”
A evitar
“Sapatilhas Nike”
A usar
“Nike Air Force 1 Low sapatilhas brancas tamanho 42”
Nos três casos a coluna da esquerda não está errada, está vazia: descreve a peça em vez de a tornar encontrável. A da direita gasta exatamente o mesmo espaço em palavras que alguém escreve de facto.
As palavras que os portugueses escrevem mesmo
Há termos procurados milhares de vezes por dia e há outros que apenas soam bem. A diferença não se adivinha, consulta-se: escreve o princípio de uma palavra na pesquisa da Vinted e lê as sugestões.
Estilos com procura ativa
- Y2K — moda dos primeiros anos 2000
- Oversize — corte largo, streetwear
- Vintage — tudo aquilo em que a idade se vê
- Streetwear — camisolas com capuz, calças de fato de treino, sapatilhas das grandes marcas
- Boho — tecidos leves, linho, vestidos floridos
Marcas muito procuradas
Nike, adidas, Zara, H&M, Bershka, Stradivarius, Pull&Bear, Mango, Levi's e The North Face estão entre os nomes que quem compra em Portugal escreve diretamente ou seleciona no filtro de marca. Se a tua peça é de uma delas, o nome vai logo no início do título.
Marcas menos conhecidas
Nas marcas de cadeia e nas etiquetas pequenas inverte-se a ordem: primeiro a peça, depois a marca. «Calças de ganga skinny cintura subida tamanho 38 pretas Lefties» funciona melhor do que «Lefties calças skinny», porque à frente fica aquilo que é realmente procurado.
Junta-se a isto uma coisa própria deste mercado: para a mesma peça existem várias palavras. Um procura sapatilhas, outro escreve ténis; um escreve camisola com capuz, outro hoodie. Põe no título a forma mais procurada e dá à segunda um lugar na descrição. Pesa menos, mas é lida.
Categoria e caraterísticas: sem elas ficas fora dos filtros
A categoria, o tamanho, a cor, o material e o estado não são enfeite. São exatamente os campos com que um comprador estreita a lista, e um filtro não tem meios-termos. Se falta a cor, a tua peça sai de todos os resultados em que alguém restringe por cor — por melhor que esteja o título.
- Desce até à subcategoria mais estreita que exista: vestidos de noite em vez do genérico vestidos
- Preenche o material: algodão, pele e lã são filtros muito usados
- Põe a cor principal, mesmo quando a fotografia a mostra à primeira vista
- Escolhe o estado com honestidade entre os níveis propostos — um estado embelezado volta-te às mãos na avaliação
- Converte o tamanho para a numeração portuguesa: nas marcas americanas e britânicas a etiqueta raramente diz o que por cá se procura
mais visualizações nos artigos com título, categoria e caraterísticas completos
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A descrição: convencer e, já agora, ser encontrada
A descrição raramente traz visitantes novos, mas é ela que decide se quem já está no teu artigo o leva. A tarefa dela é antecipar todos os motivos de hesitação:
- as medidas reais — a largura do peito com a peça estendida, o comprimento, o entrepernas
- o contexto: «comprado em 2025, usado três vezes, depois ficou no armário»
- os defeitos nomeados e apontados, em vez de um vago «ligeiros sinais de uso»
- a composição, enquanto a etiqueta ainda estiver legível
E como a descrição é lida de qualquer maneira, é aí que vai a segunda palavra que já não coube no título. Obrigatório não é, mas tempo perdido também não.
Dica de especialista
Fecha a descrição com um convite: «Diz alguma coisa se quiseres mais fotografias ou as medidas exatas.» Isso tira o travão a quem hesita em escrever-te — e cada mensagem vem de alguém que, em boa parte, já decidiu.
Quando dez artigos passam a cinquenta
Para uma peça, isto tudo despacha-se num instante. O problema começa com os números. À mão, um artigo leva à volta de 3 minutos, desde a preparação das fotografias até ao título, à descrição e, no fim, à categoria e às caraterísticas. A partir de 20 artigos por semana, lá se vai de cada vez uma hora inteira, e a primeira coisa a ceder é o cuidado: o último artigo da noite fica com um título mais apressado do que o primeiro.
Essa repetição fica para a Pikmatic. A IA lê as tuas fotografias, monta o título com a mesma fórmula, escreve a descrição e preenche desde logo a categoria e as caraterísticas; depois o artigo vai para a Vinted a partir do teu próprio navegador. Como de uma fotografia nasce um texto acabado, contamos no nosso artigo sobre a descrição escrita pela IA. E como pôr um guarda-roupa inteiro online sem escrever, está no nosso guia de publicação passo a passo.
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Um título mais comprido dá mais visibilidade na Vinted?
Só até certo ponto. Na grelha do catálogo um título comprido fica cortado, e o resto só se lê na página do artigo. Trata de meter no título a marca, a peça, a cor e o tamanho, mais uma caraterística distintiva, em vez de o esticar com palavras que ninguém procura de qualquer maneira.
Devo pôr vários tamanhos no título?
Não. Escreve o tamanho que está na etiqueta e mete-o também no campo do tamanho, porque é aí que quem compra filtra. Se a peça assentar bem noutros corpos, as medidas reais vão para a descrição. É mais honesto e convence mais do que uma enumeração no título.
Os hashtags funcionam na Vinted?
A Vinted não tem função de hashtags. Para a pesquisa, uma palavra com cardinal à frente continua a ser uma palavra com cardinal: ocupa espaço no título sem te abrir uma única procura a mais. Escreve os termos por extenso.
Como sei o que se procura na Vinted?
Escreve o princípio de uma palavra na pesquisa da Vinted e olha para as sugestões. Mostram-te que forma é a mais corrente em Portugal — sapatilhas ou ténis, camisola com capuz ou hoodie. É a fonte mais fiável para o vocabulário de quem compra.